10 de jan de 2017

Pensamentos: O que entendo por Evangelho

O evangelho não é um manual, é um tutorial; não é a bíblia nem está nela, mas é uma maneira de lê-la. O evangelho não são leis, mas parâmetros. O evangelho não foca em santidade (separação), mas em misericórdia (mediação). Também não acho que o evangelho tem a ver com salvação, mas perdão. Salvação é uma consequência natural do perdão, mas não é o foco. Nem que sirva como passe para escapar do inferno, pois essa é a barganha do sacrifício: ofereço algo à divindade e me livro da punição. A mensagem de Jesus tem a ver com perdão, reconciliação e cura aqui e agora.  O resultado é salvação, não do inferno, mas da doença do pecado, que cria o inferno aqui e agora. Outra hora a gente fala sobre inferno (gehenna, sheol, hades e tartarus), mas pode ter certeza que Jesus não estava falando em um lugar que é mais tenebroso do que qualquer filme de terror já criado, não blasfemaria dizendo que Deus é mais imaginativo em suas criações maldosas do que Eli Roth. O evangelho de Jesus não tem a ver com paraíso, inferno e salvação, tem a ver com perdão, reconciliação e cura, o resultado pode ser salvação, etc., mas o foco não é mesmo. 

Guilherme Adriano

9 de jan de 2017

Deus é como Jesus e não o contrário

Se não se importa com teologia, pule esse parágrafo. Antes de começar, vou usar umas palavras grandes e sonoras para esclarecer e guiar a leitura de quem se achar inclinado e me condenar ao inferno eterno ou aniquilacionista pelas entrelinhas do texto. Não sou marcionita, gnóstico, unitarista ou universalista - mas se quiser se sentir melhor me chamando assim, à vontade. Confesso e professo cada palavra do escrito mais importante e fundamental da tradição cristã, o Credo de Niceia. O que não sou (mais) é biblicista ou adepto à inerrância ou perfeição textual. Acredito que os primeiros cristãos não eram e nem os apóstolos. Também não brinco mais na gangorra do "é ou contém". Escritura é uma coisa, Logos é outra. A Palavra é o Logos, e Logos é Jesus. 


É interessante perceber, depois de reler a bíblia toda, que Jesus não tirava sua doutrina de Deus da bíblia, mas tirava de si mesmo. Ao invés de apontar para a Torah e dizer que Deus era assim, Jesus apontava para si mesmo e dizia isso. Ao contrário do que se pensa, a Palavra de Deus não é a bíblia, é Jesus (João 1). Repare que não foi a Moisés (Lei) nem Elias (Profetas) que o Pai mandou dar ouvidos, foi a Jesus, seu perfeito embaixador. O que os judeus tinham por Deus era bem diferente do que Jesus tinha por Deus. 


A doutrina bíblica dos judeus dizia que Deus era santo demais e quis afastar de seu templo os doentes, imperfeitos, menstruadas e gentios. Ela dizia que sua presença não tolerava imperfeição. Tudo era separado, comidas não se misturavam, tecidos e roupas não misturavam, gêneros não socializavam, raças não se misturavam, culturas não conversavam: o sagrado e o profano eram divididos por um monte de pedras e sangue na areia. Daí vem Jesus e abraça gente com doença de pele, conversa com mulheres sozinhas, almoça com traidores, elogia a raça inimiga, perdoa assassinos não arrependidos e, seminu, lava os pés de gente pobre. 

Na doutrina bíblica do judaísmo, Deus prefere matar. Na doutrina de Jesus, Deus prefere morrer. O escândalo do cristianismo primitivo (pré-constantino) não foi dizer que Jesus era como Deus, mas que Deus era como Jesus. Dizer que Jesus é como Deus pressupõe uma teologia de atributos a respeito de Deus e então eleva Jesus ao mesmo patamar: Deus é x, y e z, então Jesus também deve ser. Mas quando eu digo que Deus, o termo mais carregado de definições da nossa história, é como Jesus foi, ah, isso é escandaloso. Isso é redefinir Deus. Se alguém perguntasse a um platonista ou pitagórico da época como Deus era, receberia uma resposta muito sofisticada. Já se perguntasse aos primeiros cristãos, ouviria algo como "você se lembra daquele nazareno crucificado de que se fala tanto? Então." 

Fiz questão de colocar pré-constantino em parenteses para acentuar o fato de que a imagem de Jesus mudou depois que o imperador se converteu - literalmente, a imagem. Enquanto seita do judaísmo, o cristianismo representou Jesus como um pastor de ovelhas, um sofredor humilde, depois da conversão do imperador, Jesus se tornou parte da realeza. Pois, é claro, nunca o Senhor seria representado em menor prestígio do que o imperador. Procure no Google representações artísticas de Jesus antes e depois de constantino. Essa mudança na arte reflete muito sociologicamente. 

Em algumas doutrinas da Torah, Deus punia o pecador e impedia o mal. Na doutrina de Jesus, Deus redime o pecador sofrendo o seu mal. A doutrina de Deus que Jesus ensinou não começa com atributos e prerrogativas eternas, começa com o caráter do Messias crucificado. 

Quando Jesus disse que veio cumprir as escrituras, talvez não quis necessariamente dizer que veio para demonstrar a veracidade, literalidade e inerrância textual. Cumprir não quer dizer provar. Talvez ele quis dizer exatamente só isso, cumprir. Ele veio cumprir com suas demandas: ela queria sangue, Jesus deu sangue. Ela queria sacrifício, Jesus ofereceu sacrifício. Ela queria perfeição, Jesus deu perfeição. Talvez Jesus tenha vindo sofrer todas as atrocidades que colocaram na boca de Deus para que parássemos de demandá-las como requisito ao perdão e apenas perdoássemos. 

Jesus disse que a Torah não passaria em branco nem seria anulada, mas seria cumprida até a última letra. E foi. Ela queria a morte do cordeiro sem mácula e a teve. Ela queria um bode expiatório e o teve. Jesus foi o cordeiro de Deus e não o cordeiro para Deus. Sacrificamos um cordeiro que Deus nos deu e não um cuja morte ele precisava. Deus não precisa de sangue de boi ou de vaca (Paulo), Deus perdoa porque Deus é bom. Quem precisava ver sangue era a gente, não Ele. A necessidade da morte e da punição como sistema teológico ortodoxo só acontece dentro da tradição protestante, principalmente no sistema calvinista, que tem suas raízes em Anselmo (Cur Deus Homo), antes disso, os sistemas soteriológicos eram bem, bem diferentes. 

Sacrifícios para apaziguar divindades são muito mais antigo do que Abraão. A história da religião demonstra que sacrifícios de animais e seres humanos para expiar culpa e conseguir perdão dos deuses é um fenômeno muito antigo e faz parte das religiões, mas não do Deus de Jesus. Nós criamos religiões que queriam sangue, inimigos em comum e sistemas de expiação. Deus disse ok e nos deu a vítima perfeita, que depois de moída pelo sacrifício humano, emperrou as engrenagens da religião sacrificial e expôs sua ineficácia de lidar com o pecado. Sangue de boi e de vaca não tira pecado (Paulo), perdão sim. Perdão é dom da graça, e isso não vem do sacrifício, mas de Deus (Paulo). Acabaram os sacrifícios! Deus não quis sacrifícios, nós queríamos. Deus cumpriu a promessa que fez a Abraão e proveu o sacrifício que substituiu a morte de Isaque, que nossas religiões demandavam.

Foi o sacrifício que acabou com os sacrifícios, e não porque foi eternamente suficiente, mas porque expos a ineficácia e maldade que o sacrifício é. 

Jesus cumpriu a lei e suas demandas de sangue, terror e morte. Essa, depois de cumprida, serviu para apontar àquele que a cumpriu. Mas veja que nada disso significa que ela era perfeita ou revelada por Deus. Deus nem quis sacrifício algum (Jeremias 7:22), nem do povo nem de Abraão, a quem disse "não machuque o menino". Perdoou porque perdoou. A demanda do sangue para o perdão (Hebreus) é da lei, não de Deus. Acredito que a tradição teológica que hoje ainda tenta sistematizar textos tão distintos e de tantas vertentes tenta o impossível e ignora o simples: Jesus é a Palavra, e devemos ler a bíblia através de Jesus e nunca Jesus através da bíblia. 

Jesus expôs a bibliolatria dos hebreus antigos e redefiniu Deus de acordo consigo mesmo. Jesus é a Palavra de Deus, a bíblia é sua testemunha. 

Guilherme Adriano 


31 de dez de 2016

A Cabana e o Zelo Que Mata

Deus pode se apresentar aos homens como arbustos em chamas para Moisés, em nuvens e pilares de fogo a Israel, como andarilho para Abraão, como um encrenqueiro lutador para Jacó, como um fedido pastor de ovelhas nos Salmos, como Luz, como Leão, como Cordeiro de sete olhos e sete chifres, como uma Pomba, como um Papai louco por seu filho rebelde e até como um judeu baixinho, pobre e pacifista. Esse judeu narigudo de pele escura, que provavelmente se parecia com um refugiado desses que a gente odeia tanto, já foi representado na arte como um europeu de olhos azuis nada másculo, de barba e sem barba, cabeludo e de cabelo curto, com roupa e sem roupa. Já teve suas versões orientais de olhos puxados e também de monge indiano. Já foi pintado com doenças de pele, sendo torturado, ensanguentado, com chagas nojentas e esquelético. Mas, se representar Deus como uma mulher (ainda mais negra!), aí é heresia - e heresia é inferno sem churumelas. Deus nos livre de Deus ser ela e não ele até que por um segundo! Deus pode ser bicho, pode ser planta, pode ser elementos da natureza, pode ser homem (até três deles!), mas mulher não. Não, não, não. Ainda fica mais complicado quando essa negra quer incondicionalmente reverter o coração do assassino e salvá-lo (como na história do livro). Representar Deus como uma mulher não é heresia muito menos sacrilégio. Heresia é pensar que Deus se ofende em pensar que ele (por falta de um pronome neutro) é ela. 

Apesar de literariamente achar A Cabana um livro clichê em termos de narrativa e apelo a casos extremos, teologicamente achei interessante, bem pesquisado, criticando ídolos da teologia reformada de maneira imaginativa. Há uma camada do livro que só dá para apreciar se interessando muito por teologia e tendo um mínimo de cabeça aberta para se engajar com as artes de maneira não-iconoclasta. Acredito que A Cabana sofre hoje o preconceito que Nárnia sofreu em seus dias. De longe estou equiparando as obras, mas há um preconceito highlander na cristandade que de tempos em tempos se levanta contra a arte que não entende e expurga ao inferno tudo que não aprecia. Porque, claro, na cristandade, não gostar é o mesmo que não ser bíblico. 

Leia Nárnia, leia A Cabana, leia tudo o que quiser, o Index Prohibitorum não é mais lei. 

E vamos lembrar que quem começa proibindo (ou desencorajando) as artes às vezes acaba metralhando cartunistas. 

Guilherme Adriano


19 de dez de 2016

Deus está c*agando para sua própria glória

Ps.: você com certeza vai encontrar erros, não tenho paciência de ler tudo de novo e corrigir. 

Deus se importa com pessoas mais do que com sua própria glória, e é por isso que ele a deixou lá em cima (Filipenses 2:7) e desceu aqui (João 1:14) como um judeu pobre de família de má reputação. Em Jesus, ao contrário de nossa teologia, Deus está dizendo algo como “estou c*gando e andando para minha glória, quero vocês, todos vocês! ”.  

Um deus que busca se glorificar é um deus muito parecido com a gente. Já um deus que busca amor e relacionamento não tem nada a ver com o que nós esperamos de uma deidade. Não acredito que ele tenha criado a humanidade para adoração. Os deuses gregos fizeram isso, eles precisavam ser adorados. O deus de Jesus não precisa de nada disso, nem de adoração. Deus para ser Deus não precisa ser adorado – para falar a verdade, nem sei se posso dizer que um deus que demanda sua adoração tem certeza de si mesmo como Deus soberano.

Não acredito que Deus nos fez porque precisava de algo de nós, mas acredito que Ele nos fez porque quis nos dar algo. Teologicamente falando, a humanidade não foi uma necessidade, foi um desejo. Então se continuarmos pensando em religião e culto cristão como serviço e adoração a Deus, vamos continuar alimentando um sistema que alimenta a si mesmo apenas – e as migalhas vão para os cães fieis. Deus não precisa ser servido, nós precisamos. Lembra quando Jesus falou que quem servir o próximo está servindo a Deus? Jesus simplesmente usou a mentalidade da época, a de servir a Deus a todos os custos com o nosso melhor, e mudou o foco. Ele mais ou menos disse assim, “ah, então vocês querem muito servir a Deus, né? Tá bom, então sirvam os outros. Quem suprir o próximo de todo se coração estará servindo a Deus, pronto.”.

Discorda? Então você realmente acha que Deus precisava de cheiro de carne queimada e farinha para ter pena da gente? Ou que sem algo morrer não haveria perdão? Ou que hoje Ele precisa ouvir guitarras desafinadas e baterista fora do tempo para amolecer seu coração nos fins de semana? Você acredita mesmo que Ele se admira ou se alegra com o vocabulário ou duração de nossas orações? Apenas pense no seu filho e o que ele precisa fazer para ter o seu perdão, amor e cuidado de pai. Foi isso que Jesus fez, ele recontextualizou a relação homem-deus: de serviço e sacrifício à divindade para serviço e sacrifício ao próximo (incluindo inimigos!), “quem fizer isso ao menor entre vós, estará fazendo para mim”. Aliás, você já percebeu que Jesus nunca pediu adoração nem disse que o Pai precisava dela? Quem quisesse adorar, que adorasse. Quem não quisesse, que não adorasse. Mas todos deveriam servir e amar o próximo. Todos!

Já se formos falar em adoração, acho (e com boa base) que devemos pensar em arte e não serviço. Adoração não é serviço, não é trabalho, é arte. E arte a gente faz porque nos torna pessoas melhores. Arte nos ajuda a enxergar certos aspectos do mundo (e de Deus) que não enxergávamos antes. Adoração é arte, e acho que Deus sabe apreciar arte.

O serviço é para os outros, e nisso, é para Ele. O amor é para os outros, e nisso, é para Ele. Deus não precisa de nada, nem de nossa adoração. Acho que Deus busca sujeitos, e não adjetivos. Encher o saco dele com “altíssimos” e “todo-poderoso-rei-de-tudo-e-de-todos” não impressiona nem a Ele nem a nós. Imagina que chato seria se o seu filho gastasse 2 minutos chamando sua atenção falando daquilo que você sempre soube que você é: Ó Pai trabalhador, empresário, que sabe se vestir tão bem, que fala tantas línguas e dirige todos os dias por tantas horas, me ajuda na tarefa? Que perda de tempo, esforço e oportunidade de real comunicação. Se nem eu preciso disso, por que você acha que Deus precisa?

Quão mais bondoso alguém se torna, menos glória busca, e se isso é verdade para nós, megalomaníacos desesperados por adulação, não seria verdade também para Deus?

Se a teologia cristã não servir para fazer Deus um ser mais parecido com Jesus, serve para quê?

Até nossos melhores sistemas de teologia fizeram Deus uma deidade autoapaziguadora, autoglorificadora e criadora de meios infernais para assim conseguir. Mesmo a melhor da teologia cristã faz de Deus um vingador punitivo, um juiz terrível, um pai irado. De acordo com os nossos incríveis volumes de entender como Deus funciona, ou Deus condena os homens por fazerem o que Ele os predestinou a fazer ou os condena por fazerem o que Ele sabia que inevitavelmente fariam – não vou entrar no mérito daqueles que acham que Ele sequer sabia que fariam tais coisas.  Fizemos ele matar trocentos enquanto ama um punhado – pois veja bem, não seria justo de outra maneira(?). Essa imagem de divindade só funciona na teologia, aplicada a qualquer corte humana condenaria Deus à cadeia. Mas Graças a Deus que Jesus redimiu Deus. Jesus resignificou a palavra Deus. Em outras palavras, no princípio, Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Um tempo depois, o homem refez a Deus em sua imagem e semelhança. Mas há uns 2000 anos, Deus se refez à sua imagem e semelhança deixando-se ser pregado em uma cruz, e com isso, nos dando a chance de ser como Ele por definitivo. Jesus é a ideia de Deus que Deus quer que tenhamos. Jesus também é a ideia de ser humano que Deus quer busquemos. Jesus é homem. Jesus é Deus.

Não seja cristão, isso é chato. Eu sei porque sou há muito tempo. Seja como Jesus, isso é difícil e suponho melhor aos olhos de Deus.  

Guilherme Adriano

15 de dez de 2016

Recuso

Vou continuar um bom tempo sem escrever, se você gosta do que escrevo, continue lendo, mas por enquanto, nada de texto. Vamos ver 2017. Ah, sim, feliz ano novo a todos. 

10 de fev de 2016

Universal da mão do diabo

Livros do mesmo autor. Leitores, o Macedo é para o Cristianismo o que o McDonald's é para a nutrição: leva nome de alimento mas pode matar depois de uns anos de consumo. Impressiona e entristece ver que a Universal ainda faz discípulos como linha de produção, o fiel entra por uma porta e sai pela outra falando, pensando e agindo como seu ídolo, o Macedo. 

Estava no shopping com a mulher e vi o pôster do filme dele, Dez Mandamentos. Um pequeno asco me subiu pela espinha - o mesmo que me passou quando vi Percy Jackson: Mar de Monstros. Em ambos os casos, como puderam fazer isso com uma história tão boa!? No caso do Macedo, não era de surpreender que estaria nos cinemas logo. Prever seus movimentos futuros não é difícil, não se precisa de revelação profética, basta buscar saber contra o que pregava no começo de sua carreira e esperar que vire sua próxima doutrina hoje. Lembra como ele - e toda trupe da Universal - falava da Xuxa? Pactos com o diabo, símbolos satanistas, etc. Agora ela trabalha para ele. Legal. Na globo ela era do diabo, na record é de gezuz. Bacana, bacana.

O Macedo criticava a igreja católica e fazia pregações contra essa acusando-a de roubar dinheiro, de comercializar a fé com venda de artefatos sagrados (santinhos, rosários) e por investir em templos inúteis que sustentavam sacerdócios pagãos. Olha só, agora ele é o que mais vende paninhos, chaves, baús e parafernálias ungidas, desvia dízimos e tem um templo - muito maior do que qualquer católico - onde se vestindo de rabino prega como se fosse sacerdote. Nossa, ortodoxia que não tem por onde!

Antes, ele dizia que a globo era do diabo, claro, colocava mulher pelada na tela o tempo todo e tinha novelas espíritas. Agora a record passa A Fazenda e tem novela de vampiro. Tá certo.

Antes, eles chutavam santas e invadiam terreiros de religiões afro. Agora, pregam tolerância e respeito à diversidade religiosa.

O Macedo é o grande cemitério maldito do entretenimento brasileiro, o que de lixo se enterra lá, ressurge e aterroriza as mídias nacionais.

Pensei que depois de tanto escândalo e quadrilha a Universal ia perder força. Graças ao bom senso, vem perdendo. O problema que não previ eram os frutos. Valdemiro, fruto dele, igreja gigante. Agenor Duque, fruto dele, igreja gigante. RR Soares - coitado, tão quietinho vendendo o pão de queijo religioso dele aos idosos -, fruto dele, igreja gigante. Não contei com os filhos desse leviatã todo. Mas como todo negócio de sucesso, sofrer plágio é inevitável. A Mundial do Poder, a Plenitude do Trono e a Internacional da Graça fizeram fama pregando certas ênfases macedianas. O milagre, o exorcismo e a bênção. O cowboy suado foca no milagre, o guerreiro gordinho no exorcismo e o vovô palmirinha fica na barganha celestial. Saíram e começaram suas próprias empresas se tornando duas vezes mais filhos da perdição, como Jesus disse. Show de bola.

Por fim, acho que é bem isso, o autor de ambos livros da imagem foi o mesmo, o capiroto. 

Guilherme Adriano

15 de dez de 2015

Retrospectiva Teológica (2008-2015)

Se você acompanha esse blog há tanto tempo, que legal, troféu para você, pois nem eu consegui me acompanhar nessa teologia toda que tentei fazer. Sim, é aquela chatice de metareflexão que ajuda uns poucos que se interessam pela coisa - sabe, criar vínculos entre escritor e leitor, blábláblá. Vai que um dia fico famoso e rico com isso aqui. 

Revisitando textos antigos, consigo lembrar da situação, motivação e objetivo de escrevê-los: de saco cheio com a vida, depressivo, irritado com ignorância e mundanice, inquisitivo, apologético, defensivo, apaixonado, na faculdade, matando aula, na casa de amigos, tomando café por aí, de madrugada, no sofá da casa dos outros, no carro, na garagem, no terraço, enquanto aluno fazia prova, depois de conversas com mendigos, com teólogos, filósofos, pastores, padres, amigos(as), nos EUA, no Canadá, em SP, em Curitiba, na praça no centro de Timbó (8 horas conversa, meu record!), na Furb (tantas vezes na Furb!), no ônibus, escrevi em tantos lugares, ao redor e à companhia de tantas pessoas diferentes, durante períodos tão diferentes, passando por problemas e bonanças, enquanto aluno, enquanto professor, enquanto ambos, solteiro, namorando, com carro, sem carro (na minha vida isso fez diferença!), crendo, não crendo, evangélico xiita, protestante, Ortodoxo-wannabe, liberal, enfim. Cada texto aqui tem um contexto, e cada contexto é formado de pessoas e ideias que fizeram importante parte da minha vida. 

Se você ler o blog, vai suspeitar pelo teor do que está escrito. Se você é meu amigo ou me conhece, vai talvez entender o contexto do texto e entender o que quis dizer. O que ficou bem claro é o quanto a teologia do indivíduo, tanto no âmbito teórico quanto no existencial e fenomenológico - há quem diga que são o mesmo, mas daí o problema é deles - muda. Muda muito! Qualquer um com um coração que arde e uma mente que não para com respeito ao divino, sabe que quando lê a si mesmo de longas datas fica estupefato com o quanto muda de ideia. E não poderia ser diferente. Teologia é sempre uma tentativa: ela sabe que o que tenta saber não se pode ser sabido, Deus. Nunca consegui me firmar em um ramo da teologia por muito tempo, não por ser herege e querer pecar, mas porque não há um ramo que satisfaça ou pinte um quadro admirável de Deus. Todos têm problemas graves que implodem o sistema todo (pelo menos no meu coração e na minha mente). O sistema católico não passa pelo escrutínio da Bíblia ou do Evangelho, o sistema Ortodoxo é descontextualizado demais de nosso mundo e super burocrático, os sistemas protestantes (falo do Calvinismo, Arminianismo, Molinismo e Teísmo Aberto e suas variações) são mortalmente lógicos e acabam jogando nas mãos de Deus a culpa da maldade, os sistemas liberais tem mais cara de socio, antropo, psico e filosofia ... então continuo sem poder completar a seguinte frase: Esse blog é um blog cristão de linha _____. Claro, católicos me chamam de protestante, os protestantes de liberal, os liberais de ortodoxo, etc., mas ainda não consegui identificar esse blog com um dos rótulos da "raça" cristã. Acho que como Erasmo vou apenas dizer que sou cristão e que qualquer outro título anexo a esse seria sacrilegium, roubar o que pertence a Deus. Então apesar de não querer cuspir nos pratos em que comi teologia, não posso também honrá-los. 

Quando - e se - ler o blog, espere encontrar ruminadas as obras e teologias de Blaise Pascal, toda obra de CS Lewis, consequentemente GK Chesterton, Ravi Zacharias, Ariovaldo Ramos, Ed René, Caio Fábio (o trio brasucas!), Frank Schaeffer, Michael Hardin e Orígenes (quantos me queimariam por dizer isso!), William Lane Craig (e quem nunca?), Frank A. Viola e os rabinos Aryeh Kaplan e Manis Friedman. Na música (a melhor teologia que há!), Keith Green, Larry Norman, Phill Keaggy e João Alexandre. Claro que há mais, mas esses nomes foram os que mais reformaram o que penso. Muita história da igreja e sociologia também. Já no lado pessoal, grandes influências foram meu sempre querido Sydney e minha amada irmã Ingrid, Alexander e Dino, Eduardo Kokinho (o nerd!), meus amigos ocultistas e ateus, meus alunos e minha Jamille (Jay Jay) - aliás, é impressionante o tanto de teologia, de Deus e de bíblia que se aprende em um relacionamento! 

Meu maior objetivo com esse blog, até então, foi ficar famoso e rico ... brincadeiras à parte, é isso aí, rico e famoso. Mas agora falando sério, sempre quis ser teólogo ou escritor (sabe, aquelas vaidades boas), mas como ser ambos custa tempo e dinheiro, decidi fazer tudo por aqui mesmo, na amadoriedade (essa palavra existe, segundo o google, há apenas um link onde aparece, e isso já é o suficiente para mim!). E assim que ficarei: escrevendo, escrevendo e escrevendo e levando o blog até o islamismo tomar conta do Brasil e acabar com a liberdade de expressão da internet (se o PT não fizer isso antes, claro).

Depois de 7 anos de blog, 1 livro e 1 ensaio, podcasts, leituras, conversas, pregações (dadas e recebidas) e uma vida ávida de oração, posso dizer que dessa bagunça toda sai o que sou hoje, o que não é muito diferente do que era quando tropecei em Jesus (ou dependendo da teologia, quando Ele decidiu tropeçar em mim) mas que também é completamente diferente do que era quando tropecei (ou fui tropeçado). Todo cristão passa por essa sensação paradoxal de, depois de sua conversão, não mais mudar quem é, mas estar sempre mudando. Ser como um católico, não arredar o pé de quem se é na igreja de cristo. Ser como um protestante, estar sob reforma constante. E ser liberal, estudar tudo e reter o bom. 


Dicas para o ano novo: leia o Novo Testamento. Leia os Profetas. Leia os Eclesiastes, Salmos, Provérbios e Jó. Converse com quem entende de Bíblia. Se tiver saco e estômago, leia o Pentateuco. Não se bitole em um sistema teológico, leia outros. Não defenda o cristianismo, defenda o Evangelho. Leia os clássicos cristãos. Estude o catolicismo, os reformadores, não se esqueça dos irmãos gregos e dos liberais, leia tudo se puder. Congregar é bacana, pode ser essencial, mas não é necessário. Enriqueça sua mente com fantasia, música e artes no geral. Não caia na armadilha do intelectualismo nem na tentação do anti-intelectualismo. Não existe batalha entre fé e razão, religião e ciência, só daqueles que definem os termos. Não seja inquisidor e caçador de hereges. Tente ser amigo dos que consideras herege. Absolutamente esqueça esse papo de condenar pessoas ao inferno, elas já estão nele, tire-as de lá. Ortopraxis primeiro, ortodoxia depois. Estude a história do casamento e da sexualidade, vai te poupar muito incômodo bíblico. O único Jesus que as pessoas entendem é aquele que sua vida pratica, suas palavras não valem nada. O único amor de Deus que as pessoas recebem é aquele que vem através de você, o resto é gramática. Ore muito. Ore mais um pouco. Quando ateu, seja um ateu cristão. Quando duvidar, duvide mas confie. Quando desconfiar, relaxa, Deus te ama. Lembre-se de que teologia não é o evangelho. Acima de tudo, imite Jesus em tudo, e não se esqueça de usar protetor solar.

Guilherme Adriano

3 de dez de 2015

Irmãos protestantes e católicos, não ...

Deus se importa com pessoas mais do que com Sua glória, e é por isso que Ele a deixou lá em cima para se tornar um de nós aqui embaixo (Flp 2:7) e, consequentemente, nos unir a Ele e uns aos outros. Ele não nos criou para o adorarmos, Ele nos criou para nos amar. Ele não nos fez para que o déssemos algo, Ele nos fez para nos dar algo – a si mesmo! Um Deus que cria buscando ser glorificado não é muito diferente de alguns de nós – por isso descarto teologias que põe a criação à serviço da glória de Deus. Como Irineu já havia dito lá nos primeiros séculos do cristianismo, Deus criou porque quis beneficiar outros e não para Sua glória. Ele não nos fez por necessidade, mas por desejo. Diferente da religião organizada, a adoração cristã não é um serviço prestado a Deus, é um serviço prestado ao próximo em agradecimento ao que Deus, em Jesus, fez para nos trazer de volta. As melhores e mais bonitas religiões ainda são um lixo quando comparadas à vida de Jesus - como Ele tratou as mulheres, os oprimidos, os inimigos, se relacionou com o mundo e com o Pai.

Infelizmente, nossos sistemas teológicos (mesmo os melhores!) fizeram Deus egoísta, egocêntrico, autoapaziguador, distante, burocrático, criador de maldades e sofrimentos, o sádico infernalista, o punidor vingativo, o terrível juiz, o pai irado, o temível soberano, o rei implacável, o inflexível moralista, o salvador elitista, o amigo e amante condicional, a divindade barganhista, o cambista espiritual e o Deus menos que divino. Nós fizemos Ele ter nojinho (como em Divertidamente) de pecado e ódio de pecadores. De acordo com nossas melhores teologias, ou Ele condena pessoas por fazerem exatamente o que Ele as predestinou a fazerem (para o louvor de Sua glória, claro), ou as pune por fazerem aquilo que Ele sabia que inevitavelmente fariam.  Ah, que ironia: sistematizamos Ele para que matasse e odiasse enquanto amasse e confortasse. Em outras palavras, no princípio, Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Um tempo depois, nós o fizemos à nossa. Mas não muito tempo atrás, Ele tomou nossa imagem – em Jesus - para nos redesenhar à imagem original.  


Jesus é o ideal de Deus que Deus possuí. Jesus é a definição que Deus dá a Deus. Jesus também é o ideal de homem que Deus pensou. Jesus é como Deus é e como todo homem deve ser, também disse Irineu.  Onde a religião e a teologia falham, Jesus tem sucesso. Agora no natal, vou tentar esquecer a religião cristão e olhar para Jesus, e com Ele, de baixo para cima, aprender como Deus é. 

Guilherme Adriano

1 de dez de 2015

This mundo is cabrero

Tanto Tic-tac
Desde o Big-bang
Eu só queria Bye-Bye

Às vezes
Eu penso
Que sometimes
Já não dá mais 

E ainda
Que eu sinta
Forgiveness
Que não caiba mais
É duro
Absurdo
O que happens
In this mundo 

Na tv
O pastor diz
Que Jesus diz
Que money nos faz feliz
Mas não see
Que isso aí
Dos males é a raíz 
Poder, orgulho e greed 

Às vezes
Eu penso
Que sometimes
Já não dá mais 

Político 
Que pega nosso salário 
E enfia na última sílaba 
De sua profissão
Money que é good nós não have, diziam,
Mas eles have the montão

E ainda
Que eu sinta
Forgiveness
Que não caiba mais
É duro
Absurdo
O que happens
In this mundo 

Guilherme Adriano

7 de set de 2015

E o que Salomão diria?

Uma década conversando, debatendo e aprendendo religião depois, já vi, ouvi e presenciei muita coisa. Mas ainda me surpreendo quando alguém vem contar como inventou a roda espiritual ou descobriu o fogo divino e finalmente chegou a Deus por vias que Jesus ensinou não andar. Claro, fico com o pé atrás. Fico com o pé atrás porque me parece, como já escrevi há anos atrás, que tudo vale, menos o que Jesus ensinou. Eles me dizem que para transcender, experimentar Deus, amor, ser curado, etc (o que não é novidade para o cristão), devo fumar isso, tomar aquilo, visitar tal-tal, regredir tal-tal-tal, conversar com fulano, orar com beltrano, sacrificar x, ofertar y, comparecer a evento z, seguir essa dieta, respirar dessa maneira, esvaziar a mente disso, encher a mente daquilo, pagar essa penitência, orar tantas vezes e com tais palavras, etc. Enfim, é tanta burocracia espiritual que me canso só de ouvir. Um Deus que necessita de rituais de transcendência para ser acessado é um Deus que ama pouco, pois não ama o suficiente ao ponto de nos aceitar como somos e vir aonde estamos. Há pouco conversei com um colega querido que me recomendou o uso de chás para experimentar cura interior e autoconhecimento. Não descartei a possibilidade da coisa funcionar, afinal, muitas substâncias podem deveras abrir a percepção para outras realidades. Mas, por Cristo, por que ia pagar por algo que tenho de graça? A experiência que muitos emulam com substâncias tenho de graça há uma década (em relacionamentos humanos e divino). O uso de substâncias na religiosidade é muito antigo. Mesopotâmicos, Chineses, Gregos, Indianos, índios, a lista vai longe, todos usaram com propósitos religiosos. Chegaram lá? Talvez. E se chegaram, pessoalmente falando, não gostaria de chegar lá também no estado em que chegaram. As experiências que conheço pessoalmente aconteceram mais ou menos assim: usaram, chegaram, e uma vez lá, descobriram que os filhos de Deus já estavam lá há tempo sem precisar de nada daquilo e ainda levaram uma  bronca de Deus por irem a Ele por tais meios, tendo de abandonar tudo e começar de novo.

Mas, sinceramente, em termos espirituais, usar algo para me conhecer melhor ou alcançar cura seria uma regressão e não evolução. Seria precisamente uma muleta. Um irmão meu querido, depois de experiências com substâncias, chegou à mesma conclusão minha, que usei muito pouco. Outros amigos, que eram médiuns, disseram que entrar no terreno dos alucinógenos não é uma boa ideia; disseram que é mais ou menos como a sedução de Joãozinho e Mariazinha: é bem doce, mas daí se descobre que a casa pertence à bruxa. Se já de cara limpa espíritos enganam com facilidade, imagina em consciência alterada?

Jesus ensinou que a verdadeira espiritualidade começa com a verdadeira fisicalidade e verdadeira sobriedade. Nada de catalizadores, devemos trilhar o caminho da conversão: autoconhecimento, arrependimento, mortificação, novo nascimento e sanificação. Aliás, ainda disse que caminhos alternativos são perigosos e pertencem a ladrões (João 10:1). Espero sempre preferir andar sóbrio, na luz e no amor, do que em consciências alteradas, às escuras e em mistérios. Nada contra quem assim quiser tentar, mesmo, boa sorte e oro por vocês, mas melhor do que se aventurar em substâncias é me conhecer (e a Ele) sem elas. Enquanto se pode mostrar 10, 20 e até 30 que tiveram experiências ótimas com isso tudo, posso mostrar 40, 50 e mais que disseram que no começo é ótimo, mas depois ...

Na verdade, a espiritualidade de substâncias alcança exatamente o mesmo resultado da espiritualidade psicológica que vemos em cultos de massa neo-pentecostais. É catarse. Indução a estados alterados de consciência que geram sensações de expurgo e alívio. Não dura muito e o efeito vicia. O veículo (a substância ou o culto) logo se torna o remédio em si e o deus que se busca. O que se acaba buscando em doses de espiritualidade assim é a sensação de Deus, e não Deus em si. A longo prazo, acostuma o usuário a criar ídolos de sensações. É o tipo de armadilha que o cristão aprende a reconhecer logo. A diferença entre a espiritualidade de muitos neo-pentecostais, de xamãs e médiuns é método, só método. Todos ficam de porre e acham que encontraram Deus. Talvez experimentem uma mudança positiva, o que é legal, mas encontrar-se com Deus e se tornar Seu filho não significa ter uma mudança para melhor. Quem acha isso não leu ou não entendeu o que Jesus ensinou. Qualquer um pode se tornar uma pessoa melhor. Lewis já nos alertou sobre o erro de achar que o propósito da religião, e o papel de Deus, é melhorar a pessoa. Melhora moral não significa proximidade de Deus.  

Espíritas, espiritualistas e animistas são, de certa maneira, assim como muitos cristãos de tradição católica, filhos da espiritualidade platônica. Não digo isso com nojinho de Platão ou preconceito, mas com pesar. Essa espiritualidade distanciou Deus do mundo e criou uma dicotomia que ainda é lente exegética dessa gente toda: existe o lá e o aqui, o sagrado e o profano, a matéria e o espírito, etc. Essa separação toda existia, de acordo com Jesus, mas foi destruída com Sua morte. A separação que existia deixou de existir (o reino vem a nós). A morte morreu (há a ressurreição). O véu rasgou (Deus passa a habitar em nós). As coisas celestiais são nossas (vida eterna, amor divino e perdão). E tudo isso de graça, basta abrir mão da independência espírito-existencial. 

O cristão tem o privilégio de experimentar da total e completa e legítima espiritualidade de Deus sem seção espírita ou invocação ou transcendência alguma, graças a Deus! 

A cura da alma vem do arrepender, confessar e se reconciliar, não de substâncias alucinógenas. A presença de Deus vem com a oração de um coração humilde, não do misticismo. O mundo espiritual vem por vários meios, é verdade, mas o reino de Deus e Sua presença, só da maneira que Jesus ensinou mesmo. 

Não há nada de novo debaixo do sol, diria Salomão. Sempre haverá uso de algo para transcendência. Mas também sempre haverá Jesus dizendo: tsc, tsc, tsc, pra quê? é só orar, cara ... é só orar. 

Guilherme Adriano

21 de ago de 2015

Vestibular celestial

Um dos pontos fracos do cristianismo ocidental é o vincular da salvação da alma ao crer corretamente (ortodoxia). Em muitas tradições do cristianismo, você só pode ser amado, adotado, salvo e transformado por Deus a partir do momento que tiver as opiniões corretas a respeito de teologia, política e ética (coitada da minha nona!). Nelas, salvação não é por conteúdo de caráter nem fé, é por opinião correta e adesão a doutrinas. Transformaram salvação em vestibular - e tem um monte de igreja dando cursinho pré-salvação. 

Imagino a prova já:

O indivíduo chega diante do trono de Deus para prestar contas e o Espírito o senta, o Filho lhe entrega uma prova e o Pai começa com as instruções: 
- gente, atenção. Vocês tem 2 horas para responder todas às questões, que devem ser respondidas a caneta vermelha (qualquer outra cor será punida com fogo eterno). A nota de corte é 9, não serão toleradas rasuras ou qualquer erro. A quem passar, eu os amo! A quem reprovar, eu os odeio e punirei! 

Boa sorte, 
Deus

Assinale a alternativa correta:

1) A respeito da doutrina da natureza divina de Deus, podemos afirmar que Deus é
a - três
b - apenas um
c - apenas um em três
d - todas respostas estão corretas 

2) Com respeito à doutrina do inferno, devemos dizer que a ortodoxia de Deus é
a - tormento consciente eterno (condenados sofrem para sempre)
b - aniquilacionismo (condenados sofrem por um tempo e são destruídos para sempre)
c - universalismo (todos são salvos)
d - morte eterna (ressuscitados, julgados e destruídos para sempre) 

3) Soteriologicamente falando, podemos afirmar que
a - a morte de Cristo foi vicária (ele foi punido pelo Pai em nosso lugar)
b - a morte de Cristo foi um resgate das mãos do diabo
c - a morte de Cristo foi uma vitória sobre a morte, pecado e o diabo
d - a morte de Cristo serve como exemplo de amor a ser emulado apenas 

4) Ainda soteriologicamente falando, podemos dizer que
a - Jesus morreu por alguns apenas
b - Jesus morreu por cada e todo ser humano 

5) O mistério da predestinação divina significa que
a - Deus elegeu alguns à salvação e alguns à perdição (incondicionalmente)
b - Deus elegeu alguns à salvação e alguns à perdição (condicionalmente)
c - a eleição diz respeito à nação de Israel apenas
d - nenhuma das alternativas estão corretas

6) Assinale a alternativa em que o indivíduo é salvo
a - Juliana faz sexo e não é casada, mas vai à igreja e ama o Senhor
b - Gabriel, cristão, pensa que legalizar a maconha seria bom à sociedade
c - Emanuela, cristã, pensa que aborto nem sempre é pecado
d - Mariana é Católica, mas admira Lutero 

7) Sacramentos são
a - literais e necessários 
b - literais e opcionais 
c - simbólicos e necessários
d - simbólicos e opcionais 

8) A respeito do homossexual, podemos dizer que 
a - deve deixar de ser homossexual
b - pode ser salvo permanecendo homossexual (não praticante)
c - pode ser salvo permanecendo homossexual (praticante)
d - foi entregue a si mesmo como réprobo e não há salvação

9) Somatória: Da Bíblia, podemos dizer que 
01 - é a palavra de Deus, inerrante em todos aspectos e deve ser crida por inteiro
02 - contém a palavra de Deus, inerrante em alguns aspectos apenas  
04 - é inspirada em Deus, escrita por homens
08 - é inspirada por Deus, escrita pelo Espírito através de homens
16 - criei tudo em sete dias literais de 24 horas
32 - o relato da criação de Gênesis é uma mitologia / alegoria / metáfora 
Soma: ______

10) A respeito das naturezas divinas de Jesus, podemos dizer que
a - Ele é foi homem, pois deixou sua divindade com o Pai
b - Ele é Deus em aparência humana
c - Ele é divino, mas não divindade
e - Ele é homem e Deus ao mesmo tempo

Para muitos, Deus filtra seu amor através de provas celestiais assim ... 

Guilherme Adriano





12 de ago de 2015

O papa é pop

Papa Francisco pediu perdão pelos abusos e crimes da Igreja Romana durante a conquista das Américas, contradizendo o Papa Nicolau V e Alexandre VI; disse que não é alguém na posição de julgar homossexuais; celebrou culto em outras denominações cristãs e em templos judaicos; afirmou que a Igreja está de braços abertos a divorciados e recasados dizendo que "eles sempre pertenceram à igreja"; chamou protestantes e pentecostais de irmãos, ignorando o anátema oficial da contra-reforma; escolheu viver com simplicidade ao invés de no luxo do vaticano; beijou o pé de uma muçulmana; criticou sua própria Igreja e a chamou de "obcecada" por aborto, sexo e contraceptivos; criticou a igreja por colocar dogma à frente do amor; tem atitude muito diferente da oficial com respeito à teologia da libertação; luta pelo espaço das mulheres na Igreja; deu a entender que ateus e não católicos podem ser salvos; argumentou para uma revisão na doutrina do celibato; foca seu papado no auxílio aos pobres; e por último, ele é a cara do C.S.Lewis.

Se todo clérigo católico que prega pregar no teor de Francisco, o catolicismo terá um bom futuro no Ocidente.

Guilherme Adriano

30 de jul de 2015

Trigo tem que perdoar

Só posso falar de perdão a partir da minha experiência com ele. O que falo do perdão é o que consigo fazer com ele. Começo concordando com Ariovaldo, perdoar é literalmente perder e doar: perco meu direito de retribuir e doo amor (pelo menos é isso que a gente sente tendo que perdoar). Em minha vida, até então, também descobri que perdoar não é esquecer – nada novo. Apesar de não ter sido muito machucado, sofri umas perdas que doeram fundo. Quando orava para ter o poder de perdoar (creia-me, não é nada natural perdoar!) pensei que a lembrança dolorosa desapareceria ou pelo menos deixaria de ser dolorosa. Errei nas duas cogitações. Ainda lembro e ainda dói. Claro, não sou mais impelido a cada minuto a lembrar com ressentimento como era no começo, mas de vez em quando sinto saudades dele e deles.  Não oro mais para esquecer, mas para perdoar. Aliás, começo a pensar que perdoar é exatamente olhar para aquilo que não consigo esquecer e dizer “vou amar apesar da lembrança”, e assim, curando o lado culpado, ser também curado. Perdoar não desfez meu passado, mas deu outros olhos para encará-lo. Minha vida (e a de outros envolvidos) continuou não porque esquecemos ou porque não dói mais ou nem porque aprendemos a viver sem, mas porque perdoamos. E acho que isso não tem nada a ver com não querer que a pessoa se ferre. Eu quis que a pessoa se ferrasse muito (ah, sr. madruga, estavas certo!). Mas, em oração, abri mão do direito de desejar isso e orei para o bem-estar dela. Também acho que perdão nem sempre traz reconciliação entre as partes machucadas (apesar de esses temas estarem ligados no NT), mas abre o coração de ambas para reconciliação com Deus, e Deus, que é Deus, faz essa reconciliação entre as partes machucadas quando Ele achar oportuno – se Ele achar oportuno. Bom, sei que na fé cristã entender, definir ou explicar o que é perdão não é normativo, mas perdoar é, e isso tem a ver com uma disposição da vontade (do coração), e não uma postura do entendimento (da mente). Enfim, como puderam perceber, cristãos nem sempre vão saber dizer exatamente o que ou como é perdoar, mas eles vão saber fazê-lo muito bem, e isso basta – e se não conseguirem, cuidado, talvez sejam apenas joio.  

Guilherme Adriano

Invejo este cristão: 

27 de jul de 2015

Pensamentos: Jó

Com o livro de Jó, aprendi que o que consola é Deus responder, e não Deus responder. Jó foi apaziguado com a presença e não com a resposta. Conforme amadureço em fé e minhas dúvidas crescem, diminui em mim a necessidade de uma resposta para elas, pois a certeza da aceitação de Deus faz minha dúvida deixar de me assombrar e, ao invés, me motivar a crescer em mais conhecimento e humildade. Deus não respondeu às dúvidas de Jó, mas Deus respondeu a Jó, e isso o curou. 

Guilherme Adriano

21 de jul de 2015

Deus e a gramática

Em João, está escrito que No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. (João 1:1-3)

Deus é um verbo, pensemos: é o verbo que dá vida a uma oração. É através de verbos que uma história ganha sentido. É pela mediação do verbo que outros termos se relacionam. É da natureza do verbo ser infinitivo, participativo e indicativo. É da natureza do verbo conjugar-se e conjugar-se novamente de modo a fazer uma oração inteligível. É o verbo que, buscando concordâncias, faz todo o trabalho duro. É quando sujeito e verbo discordam que há erro gramatical. É prerrogativa do verbo salvar uma oração, mas também é responsabilidade do sujeito saber conjugar. Deus disse ser o verbo TO BE (Êxodo 3:14): único capaz de conectar o sujeito a seu predicado. Deus sabe conjugar-se em toda sorte de tempo verbal, nós que somos ruins em gramática.

18 de jul de 2015

Minha casa, minha vida

Isso aqui é o relato da minha vida com o Papai, Ábba (אבא), então contenha o seu Toddynho e não venha encher o saco nos comentários, pois esse texto não é para discussão, é para minha família (de fé e de sangue, #cristãosentenderão) e para mim. Olha, traduzir experiências, de oração e vivência, em palavras é tão fácil quanto fazer um filme do Homem Aranha que agrade a todos: fóda[1]!

Acho que, depois desse texto, se você for ateu, vai me achar um idiota. Se for cristão, vai me achar chato. Se for de outra marca religiosa, vai me achar cabeça pequena. Se me conhecer, vai entender que escrevo para outros me acharem um idiota, chato e de cabeça pequena.  

Há muito tempo, numa galáxia muito muito distante (Timbó, na casa do Thomi) estava com amigos conversando de espiritualidade (surprise, surprise!) e bobiças que uns acham ser Ábba quando uma menina me retrucou por ser muito teórico. Aquilo que disse foi direto no meu coração como um “hey, menos teoria, mais espiritualidade!”. Hoje, conversando com a mulher no carro, aconteceu a mesma coisa (não pela boca dela, mas...enfim). Essa reputação sempre me perseguiu. Que bom. Gosto de ouvir isso, todo professor sabe que quanto mais letrado se é, mais complicado é de se enganar. Acredita que já me encheram o saco por ter lido a Bíblia toda mais de uma vez? Pois é, fiquei pasmo também. Acho que o mí.ni.mo que alguém que abre a boca para falar de Ábba deve fazer é ler os relatos d’Ele e de Seu Filho (יֵשׁוּעַ) no novo testamento.

Mas essa leitura toda (a da Bíblia, wow, so read, much words, very bible!) me ajudou a distinguir entre experiência com Deus, com espíritos, com a natureza, com a arte, com os outros e comigo mesmo (são as categorias fenomenológicas que uso para me avaliar). Um neófito (termo robusto e chique da teologia para dizer noob) pode interpretar as cinco como sendo apenas uma. Já vi muita igreja pentecostal dar aos fieis experiências lindas com outros fieis, e eles acharam que foi com Ábba. Andei com muito maluco-beleza que acha que fala com Ele, mas fala consigo mesmo nas suas viagens. Conheci espiritualistas que se acham o Serginho Grosman do mundo espiritual, mas que de fato batiam altos papos com uns espíritos de procedência duvidosa. Conheci (I have known, é Present Perfect aqui!) cristãos demais que, em retiros, experimentaram a beleza da natureza e da arte e confundiram seus encantos com experiências espirituais com o Criador. Eu mesmo já passei e passo por todas essas etnias de traquejos ainda.

Sim, já me comovi em cultos e achei que era Deus. Sim, já fiquei doido e achei que era Deus ... e também o diabo. Sim, já entrei em transe contemplativo e dialoguei com minha psique a ponto de achar que era o Espírito Santo. Sim, já me encontrei com espíritos (mas foi fácil ver que não era Deus, eles ficam meio bravos com a ortodoxia de Jesus). E sim, já tive experiências profundas e legitimamente espirituais com o Criador, meu Papai, Ábba.  

Mas esse tipo de coisa não se sai por aí contando para todo mundo e se gabando de ter conseguido o que Morrison não conseguiu, que foi break on through to the other side. Quem faz isso é quem quer fama de superespiritual, e não vai ser eu o infeliciano que vai ficar apontando nomes, porque macedo ou mais tarde, a máscara cai.

O que posso dizer de certeza de experiências legítimas e espirituais com Papai é que a marca de sua legitimidade é o fato de não serem apenas ou completamente espirituais. Não precisamos fugir do mundo para encontrar Deus. Ele transcende nossa realidade, mas não é ausente dela. Esse é o erro em que caem os que buscam Deus apenas no númeno ou no fenómeno, no mundo platônico ou no aristotélico, no espiritual ou no material. O que aprendi lendo e observando a vida dos grandes (que foram os que sabiam que eram pequenos) é que a vida espiritual começa, se instala e se torna parte da vida física, transformando o coração contatado em um coração mais parecido com o de Jesus (o da Bíblia, não o da sua opinião).  

Consigo afirmar vinda de Ábba a transcendência que resulta em caráter e coração bom (bons frutos). Já ouvi e conversei com cada um que deu dor de estômago, pois enquanto falavam de luz, pureza e amor se rodeavam de sujeira, vícios e arrogância. Fica meio difícil acreditar em pureza pregada com hálito de vodca, sabe. Certamente as experiências daquele guru a que me refiro foram legitimamente espirituais, mas não de Ábba. Yeshua avisou que nem tudo que brilha é ouro. Ele bem disse que haveria espiritualidade intensa no mundo, mas nem toda seria de Adonai. A experiência espiritual com Adonai é como a experiência que temos com o sabonete: limpa e todo mundo percebe.

Também aprendi que Deus veio até nós precisamente porque nunca chegaríamos até Ele. Quer tentar, tente. Quer tomar, fumar e usar o que quer que seja para contatar o outro lado, vá fundo. Boa sorte. Você vai chegar a algum lugar, aposte nisso. Você vai conversar com um monte de seres, aposte nisso também. Mas Ábba não estará entre eles. Papai, porque é amor, ensinou um jeito mais fácil. Ele disse assim, “dê meia volta e vem falar comigo em oração.” LoL. A parábola do filho pródigo conta a história de um filho que conseguiu reconectar-se com o pai. Como fez isso? Dando meia volta, no coração e no caminho, e voltando. A transcendência começa ali! Sem meia volta, no coração e no caminho, não importa a velocidade, intensidade ou sinceridade da caminhada, ela acaba no lado em que Ábba não está.

Outro ponto importante é o tipo de experiência que se busca. Acho que todo mundo com que conversei quis uma experiência, um evento, um momento com Deus. Mas conto em duas mãos os que conheci e O quiseram em suas vidas o tempo todo. A diferença é grande entre esse tipo de gente. O primeiro quer Deus por uma noite, o segundo quer Deus em casamento. O primeiro quer experimentar Deus pelo mesmo motivo que experimenta montanhas russas, adrenalina. O outro quer experimentar Deus pelo mesmo motivo que experimenta sapatos, encaixar-se a ele. Todo mundo quer um evento com Deus, é empolgante e dá muita história para contar e do que se gabar. Mas poucos querem Deus em seus momentos de tentação, tristeza e erro. Uma experiência constante e legitimamente espiritual com Ele é, na minha experiência, aquela que começa e é guiada por um coração que busca se moldar ao do Papai, e não moldar o do Papai a si.

Dica de mestre #56: abandone o dualismo grego (espírito x matéria) e recupere o dualismo hebreu (vontade de Deus x vontade do homem). Essa mudança de paradigma muda tudo. Enquanto tivermos como ponto de partida da transcendência o transcender em si, continuaremos nos relacionando com coisas espirituais como ocultistas e xamãs tentando contatar o além. Veja a diferença: o cristianismo helenizado diz que há coisas santas e coisas profanas, lugares santos e lugares profanos, gente santa e gente profana. Conclusão, use, frequente e conviva com gente e coisas santas. Essa paranoia cria uma doença que conhecemos muito bem: coisas do mundo (rock, discoteca, homossexuais e cerveja) e coisas de Deus (louvor, igreja, crentes e suco de uva). O cristianismo hebreu (engraçado usar esses termos, gostei) ensina que há apenas coisas e duas maneiras de se relacionar com elas, uma boa e virtuosa e outra ruim e viciante. Na primeira visão, o mundo, do qual não devemos fazer nem tomar parte, é um substantivo (coisa), na segunda, o mundo é um advérbio (maneira de usar coisas). Na visão doente do cristianismo, você deve evitar certas coisas, lugares e pessoas por serem contaminadas e, se devotando ao asceticismo e oração, você transcenderá ao mundo espiritual. Na visão original do cristianismo, você deve evitar jeitos de se relacionar com pessoas e coisas e, reaprendendo o que é viver sem “ser dominado por nada enquanto tudo lhe é permitido”, transcenderá a carne (vontade humana) e o mundo espiritual se instala e faz parte da sua vida cotidiana. #parágrafocomplicado@lêdenovo.tambémmeperdi.br

Transcender não é sair daqui e chegar lá. Transcender é mudar o coração, daí o lá vem aqui (o reino de Deus vem a nós). Transcender é finalmente se tornar totalmente humano e reconectado a Deus. Na visão grega, a gente deixa a carne (o corpo), nossa a prisão, e chega à realidade última, espiritual através do conhecimento e prática da virtude. Na visão hebreia, a gente deixa a carne (a vontade humana rebelde), nossa maldição, e a realidade última, espiritual vem a nós através da fé e prática do amor. Isso quer dizer que para experimentar Deus e se relacionar com o mundo espiritual de uma maneira mística, devemos começar com mudança de coração e fé. Diria assim, que o portal ao outro mundo está em nossos corações: reajuste-o às coordenadas de Deus e ele abre passagem.  

Em minha caminhada, tive altos e baixos, momentos mais e menos espirituais, mas toda ela tem sido uma experiência com Papai. Desde meus 18 venho mudando, crescendo e me relacionando com Ele. Houve momentos em que tive experiências comigo mesmo (me descobrindo como ser humano), momentos de inspiração pela arte e pela natureza (que arrancaram de mim sentimentos lindos), de diálogo com seres (que não quero mais ter!) e de transcendência (que só consigo descrever em termos culinários).

Não dá para provar nada do que vivi e vi, esse tipo de coisa é mais profundo que os simples mecanismos da ciência. Não consigo expressar em termos teológicos, a experiência cristã não cabe neles nem pode ser sistematizada. Não posso converter ninguém de outra religião com meu discurso, porque não é meu discurso, mas minha vida que prega em quem creio. E a quem me conhece, bom, vocês sabem quem era e quem sou, isso basta.

Guilherme Adriano


[1] Para mim, “fóda” tem acento sim!