Templos de Adoração: Shoppings e Catedrais



Terminei minha aula às 16:00 e como de costume saí para tomar um café no shopping. Porém, sentia-me perturbado e me retirei para orar um pouco. E que lugar melhor para orar do que um lugar vazio e quieto? E que lugar mais vazio e mais quieto do que uma catedral católica? Por trabalhar praticamente de frente a uma, decidi entrar e gastar um tempinho orando. Alguns evangélicos criticariam a atitude. Esses “coam o mosquito e engolem o camelo”; enquanto são zelosos a ponto de nem pisar em terreno católico, são completamente displicentes com suas loucuras eclesiásticas. Seu zelo é um zelo burro. Como já disse várias vezes, o evangélico acusa o católico de idolatria – culto a estátuas e imagens – enquanto ele mesmo é idólatra, pois cultua a personalidade de seu pastor.  Um adora pau e pedra, outro carne e osso. Pelo menos pau e pedra não pregam heresia.

Enfim, não vou entrar no assunto agora. Voltando ao relato: entrei na catedral – não, não fiz sinal da cruz nem reverência à santa, ok? –, dirigi-me aos fundos, ajoelhei-me e orei por um tempo. Ao terminar minha oração, saí e, ainda da entrada da catedral, pude avistar a torre do shopping. Naquele momento tive uma epifania: Estava saindo de um templo idólatra e me dirigindo a outro. Num – catedral – o pau e a pedra são adorados, noutro, o shopping, seios, bumbuns e pernas são adorados. Uma é a casa dos deuses cegos, surdos e mudos da religião, a outra é  a casa dos insaciáveis deuses da futilidade. Enquanto o tradicionalismo católico, com sua liturgia e rituais, escraviza um monte de irmãozinhos de um lado, do outro, o modernismo mundano hipnotiza uma multidão de pobres almas com suas cores, slogans, jingles e ofertas.

Observei que cada fiel que entrava na catedral fazia o sinal da cruz com água benta e reverenciava a santa como sinal de “humildade”, já no shopping notei que as pessoas admiravam-se em espelhos e reverenciavam mercadorias expostas em vitrines. Que idolatria seria mais danosa à alma? A religiosa ou a secular?

O processo  de sedução em ambos templos é bem parecido, mas a oferta é outra! A igreja oferece felicidade eterna e espiritual  – mas falsa –,  o shopping, felicidade terrena e material – mas ilusória. As duas às custas de dinheiro!

Os dois templos foram criados por mãos humanas para vaidade humana; um dos templos põe a estátua como imagem de adoração, e o outro vitrines e espelhos que refletem a imagem do ídolo a ser adorado, a saber, o próprio indivíduo.

Enquanto os religiosos se envaidecem com santidade e pregam castidade doentia e repulsa pela sexualidade, descartando-a como pecaminosa, os mundanos têm orgulho de ser lascivos e de pertencer a uma sociedade moderna “livre das algemas da religião tradicional”. Esses são obcecados pela sexualidade e a reprimem doentiamente, já aqueles são obcecados pela sexualidade e a pervertem monstruosamente; esses admiram a virgindade perpétua, aqueles cultuam a promiscuidade completa. Que visão da sexualidade é mais danosa? A religiosa ou a secular?

Os seres humanos e seus templos de adorações com seus rituais e sacerdotes. A eles, os profetas hebreus dizem, “Deus não habita em templos feitos por mãos humanas”, e Cristo diz “adorai somente a Deus...em espírito e em verdade”. Quem adora somente a Deus, despoja-se de todo outro ídolo, seja esse material, intelectual, humano, ou até a si mesmo. Quem adora em espírito e em verdade adora em qualquer lugar a qualquer hora. São adoradores assim que o Pai procura, diz o Filho. 

Guilherme Adriano

Comentários

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Guilherme disse…
Não, obrigado. Como já comentamos por e-mail, não confio na teologia macediana.
L.P. Faustini disse…
De fato, Paulo nos alertou sobre o exagero religioso quando disse "Se você realmente acredita em Cristo, porque te deixa impor proibições e regras? Regras estas que não passam de doutrinas humanas. Regras que podem até te dar um semblante de humildade, mas só servem para satisfazer a carne"

Grande abraço,
A Paz