Sentido da Vida Não é 42


A vida só é suportável quando faz sentido. E o sentido da vida, segundo Jesus, está nos relacionamentos, primeiramente com Deus e depois com o próximo. Jesus resumiu todos os mandamentos com dois, “amarás primeiro a Deus e depois o próximo como a ti mesmo”.

Ou seja, o plano de Deus para o homem está nos relacionemos com Ele mesmo e com o próximo. A própria estrutura do decálogo nos faz pensar assim. Os quatro primeiros mandamentos são com respeito à nossa relação com Deus, e os outros seis lidam com as relações interpessoais. E o poder de viver em conformidade com os últimos seis está na observância dos quatro primeiros. Apenas quando admitimos que o Senhor é Deus (1º  mandamento), que a glória e honra são d’Ele (2º), que o Seu nome é Santo (3º), e que, por estas coisas, devemos dá-lO devoção integral oferecendo-nos como sacrifício vivo e consagrando nossos dias a Ele (4º), é que acharemos sentido e poder para honrar pais, não adulterar, não matar, não roubar, não mentir e não cobiçar.

A moralidade dos seis últimos mandamentos está enraizada nos quatro primeiros. Aquele que não reconhece a identidade, a autoridade, a santidade  e o senhoril de Deus, não tem base, nem força nem motivo por que observar os últimos seis à moda de Jesus. Em outras palavras, se eu não for pego, nem sofrer consequência alguma nem machucar ninguém, por que não adulterar? Para um homem solteiro (como eu) não há um bom motivo por que não adulterar senão o de que esta é a vontade de Deus. Para todos os outros mandamentos há razões óbvias para não transgredir, mas para o do adultério – no caso dos solteiros – não há. Por que um homem solteiro, jovem, saudável, responsável e carinhoso não deveria fazer sexo sem compromisso? Se tentarmos responder essa pergunta sem invocar a santidade e propósito que Deus atribuiu ao sexo, estaremos debatendo moralismo, e não moralidade. Como disse o filósofo russo, “[quando] Deus não existe tudo é permitido”, pois não havendo valores morais objetivos, não há por que ser ético. Em outras palavras, se o cumprimento da lei moral é apenas um acordo social e não uma obrigação divina com propósitos que vão além do bom funcionamento da vida cotidiana, então não há consequência senão a própria transgressão do mandamento.

Portanto quando adulteramos num mundo sem Deus, o crime é a própria desobediência à lei, mas quando adulteramos num mundo cujo criador é Deus, o crime passa a ser o atentado à vida e a Ele. Num mundo sem Deus a lei é um fim em si mesma: serve para ser obedecida e nada mais; é um acordo social; é relativa; às vezes é apenas um capricho, uma vaidade. Num mundo cujo Deus é o legislador a lei tem um objetivo maior: cultivar a santidade e o significado da vida, para os quais o próprio Criador dá sentido. Num mundo sem Deus a lei aponta para a obediência da lei. Num mundo cujo Deus é o Senhor a lei aponta para o Seu caráter, Sua vontade e Seu propósito.

Quando Deus não existe, a vida é um acidente e o sexo um mecanismo sem valor e significado transcendentes, não há nada de especial a seu respeito, o prazer é só um estímulo e o orgasmo é só uma consequência.

Quando Deus é Senhor e Criador, a vida é sagrada e o sexo é divino, a relação é elevada a um patamar espiritual e o prazer vem como um presente.

Se a sexualidade é um acidente, então sua função primeira é a reprodução. Se a sexualidade faz parte da vontade de Deus para os homens, então sua função vai muito além da procriação.

Se o sexo é um acidente, então não há “certos” e “errados” no ato, assim pedofilia, necrofilia e sexo anal são só modalidades diferentes. Se o sexo é uma criação, ele tem propósito, e não respeitar esses propósitos seria abuso, profanação e perversão.

Quando Deus existe, Ele se torna o criador do sexo, e “não adulterarás” é mais do que uma lei, é uma instrução para a felicidade do ser humano, e eu não adultero para não perverter o sentido do ato, nem profanar o outro. Assim a lei ganha um caráter amoroso e preservativo.

Já quando Deus não existe, o sexo é só um acidente de percurso, e “não adulterarás” é apenas uma lei, um acordo social, e eu não adultero por capricho meu. Assim a lei ganha um caráter autoritário e sem sentido.

Então digo que num mundo sem Deus não há bons motivos para não adulterar. Porque adulterar é profanar, mas é impossível profanar algo que não tenha propósito.

O propósito de todas as coisas está em Deus, e uma vida bem vivida é uma vida vivida conforme os propósitos de Deus. Jesus ensinou que devemos nos relacionar com Deus com todo o nosso intelecto (de todo teu entendimento), com toda nossa paixão (de todo teu coração), com todo nosso ser (de toda tua alma)  e com todo nosso potencial (de todas tuas forças), e amar o próximo como a nós mesmos (até mais do que a nós mesmos, segundo 1ª João). Para a vida ser bem vivida ela deve seguir esses mandamentos. Quem (acha que) se relaciona com Deus e não com os homens é religioso hipócrita, um inútil e um fardo para o seu vizinho. Quem se relaciona com os homens e não com Deus não entende a essência de um relacionamento nem encontra sua plenitude.

Somente quando nos relacionamos com o nosso próximo a partir de nosso relacionamento com Deus – e isso só é possível, de acordo com a Bíblia, através do arrependimento e fé em Jesus Cristo – é que vivemos de fato.

Eu sou o caminho a verdade e a vida” disse Jesus. O que entendo disso? Que quem não O conhece está vagando sem caminho. Quem não O conhece vive uma mentira. Quem não O conhece não sabe o que é viver. Afirmações ousadas essas! – alguém poderia dizer. Sim, e muito! Mas se tivessem vindo de mim seriam apenas fruto de minhas crenças pessoais e seriam verdades apenas para mim, mas quem as disse foi Jesus e não eu, sendo Ele Deus, o que disse é verdade absoluta, invariável e universal.

Termino esse post como comecei: a vida só é suportável quando faz sentido. Jesus disse ser o sentido de tudo. Então vida só faz sentido com Jesus sendo seu ponto de partida e de chegada. (Aliás, para o cristão, Jesus é o ponto de partida, de chegada e o caminho a ser percorrido. Partimos dele, na conversão, para chegar a ele, no paraíso, através dele, por sua obra na cruz e seu exemplo de vida).

Ao invés de procurar um sentido para sua vida, procure o sentido de sua vida: Jesus, o Deus conosco.

“Sem Deus sua vida é uma piada sem graça” – João Alexandre.

Guilherme Adriano


Comentários

Éder Corrêa disse…
em uma pregação do Ariovaldo ele disse uma coisa interessante, "que o amor não seria um sentimento, mas um estilo de vida". E acrescento que Deus em seu amor se deu por nós em Jesus Cristo na Cruz para nos libertar da escravidão carnal.(me corrija se estiver errado).
Guilherme disse…
Obrigado pela contribuição mano!