Por que Jesus sofreu tanto?


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[Update 26/12/2015: essa é uma apologética à Substituição Penal, não representa mais o que penso, mas fica como marco de como aprendi a pensar em expiação] 

Este post é uma resposta à pergunta “Por que Jesus teve que sofrer tanto?” que me foi feita há alguns meses atrás por um colega.
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O Evangelho todo; a Bíblia toda; a história de Deus com os seres humanos toda é baseada em dois preceitos, amor (caridade) e justiça, aliás, tudo o que Deus faz tem a ver com esses dois preceitos. Afinal espera-se, no mínimo, que o autor do amor e da justiça seja amoroso e justo.
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Quero tratar desses dois conceitos, mas antes de tratar do “amor”, gostaria de tratar da “justiça”.
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Bom...
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Deus é perfeito em tudo! Como? Sendo Deus, Ele simplesmente é! Ser Deus implica em ser perfeito; ser sublime. Um filósofo grego, se não me engano, argumentou que: “para que pudéssemos, sendo imperfeitos, ter um conceito de perfeição, alguém perfeito deve ter nos mostrado o que a perfeição é, pois sendo imperfeitos nunca poderíamos ter considerado a perfeição.”. Em outras palavras, um ser imperfeito não pode cogitar um ser perfeito, pois tudo que cogita cogita de si mesmo, então alguém que é perfeito nos revelou a perfeição e assim temos um padrão. Deus sendo perfeito, ao se revelar aos homens, estabelece o padrão de perfeição.
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Perfeição: Em que não há defeito; que só tem qualidades boas. 2. Cabal, completo, rematado, total. (Dicionário Michaelis). Portanto algo perfeito é algo absoluto, Deus sendo perfeito, é absolutamente perfeito, em tudo! Com base nisso reafirmarei: Deus é perfeito em amor, em justiça, em tudo.
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Justiça: Virtude que consiste em dar ou deixar a cada um o que por direito lhe pertence. (Dicionário Michaelis).
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Se no plano terreno/finito, há crimes, segundo alguns códigos penais, que só são pagos com a morte do infrator -independente agora de opiniões pessoais- o que diríamos de crimes cometidos no plano eterno/infinito? Se aqui nessa terra, mediante a justiça dos homens há crimes tão hediondos; repugnantes; repulsivos; monstruosos, que só podem ser retribuídos com a morte do criminoso -o holocausto por exemplo- imagine sua pena mediante a justiça divina.
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Em outras palavras, se a justiça terrena às vezes requer, por direito, a vida de um indivíduo, imagine a justiça divina, que enxerga além do ato; que enxerga motivações.
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Quando eu cometo um crime contra um ser mortal, as conseqüências dos meus atos têm repercussões terrenas, mas quando eu cometo um crime contra um ser eterno, as conseqüências são eternas. (Não me lembro quem disse): “Uma ofensa contra um Deus infinito é uma ofensa infinitamente ofensiva.”.
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Agora tente imaginar isto: Seres humanos cometendo, deliberadamente, crimes hediondos, contra um Deus eterno, e sendo julgados pela justiça divina/perfeita/sublime!
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Vocês vêem o problema ou preciso ser MAIS específico?
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Crime contra Deus tem nome: pecado! O nosso caso é muito sério, o pecado sempre foi um caso muito sério, infelizmente, por causa da igreja católica, a idéia de pecado se tornou extremamente superficial. Muitos crêem que pecado é fazer mal ao próximo, então pela lógica se eu não fizer mal ao meu próximo, eu não pecarei, e não pecando, merecerei entrar no descanso eterno. Segundo a Bíblia, pecado não é fazer o mal ao próximo, mas sim cometer um crime contra Deus. Pecar vai muito além de fazer o mal para alguém, pecar consiste em violar a lei de Deus, seja no agir, no falar, no pensar, no ser, na motivação de existir. Pecado, segundo a Bíblia, não é somente o que fazemos mas é a nossa CONDIÇÃO como seres humanos caídos; é a nossa NATUREZA. Como um pregador americano disse: ...a questão não é se você alguma vez já pecou, a questão é que você até hoje não fez nada além de pecar! Ariovaldo Ramos: “Nós não somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores!”. Nós não nos tornamos uma “árvore ruim” porque um dia demos “frutos maus”, nós damos “frutos maus” porque somos “árvores ruins”. “Ruim” é a nossa natureza, os pecados que então cometemos são apenas sintomas de uma natureza podre. O problema mesmo, contra o qual Deus tem queixas, não é especificamente o que “fazemos”, mas o que “somos”, e por isso “fazemos”.
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Biblicamente falando, existo, logo peco! Cometemos suicídio espiritual no Jardim do Éden quando nos rebelamos contra Deus. “Se comerdes desse fruto certamente morrereis”. Enfim, comemos e morremos, (por isso Jesus disse que “aquele que não nascer de novo DO ESPÍRITO não pode entrar no reino...). Nascemos na condição de pecador, por natureza somos culpados, e por direito irrevogável merecemos nossa morte eterna! “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Nossos pensamentos, palavras, ações, cogitações e vontades nos condenam todos os dias em cada escolha que fazemos! (Ou vai dizer que se os seus pensamentos de um dia inteiro pudessem ser gravados em um DVD, você deixaria sua família toda assisti-lo!? Pois é, eu também não deixaria, mas Deus os assiste).
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Nascemos com um ódio por Deus que se manifesta assim que a idade da inocência vai embora e nos tornamos responsáveis pelas nossas escolhas, a partir de então, somos inquestionavelmente culpados de quebrar TODOS os mandamentos de Deus!
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Diante de um Deus santo e de uma justiça perfeita, somos culpados, não pelo que fazemos ou deixamos de fazer, mas pelo que somos! (A esse ponto não duvido que alguém já deva estar levantando a seguinte argumentação: MAS QUE CULPA TENHO EU DE ADÃO E EVA TEREM PECADO; PORQUE EU SOU CULPADO PELO PECADO DELES? Uma pergunta que eu já me fiz várias vezes!
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Veja bem! Adão foi criado perfeito, sem pecado, inocente. Mas nós também nascemos inocentes, enquanto criança somos inocentes, e segundo Jesus, estamos salvos: “O reino de Deus é das crianças”. A questão é, quando nos tornamos maduros, capazes de escolher entre o bem e o mal com discernimento, optamos pelo mal, sempre! Então toda vez que você peca, você está provando para Deus, o diabo e você mesmo que “se você estivesse no lugar de Adão, você teria feito a mesma escolha que ele fez e comido o fruto!”. Quando pecamos estamos comprovando que: Se fossemos Adão, teríamos comido o fruto também!
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Resumindo: Somos culpados e malvados; odiamos o propósito de Deus para a humanidade e criação, e comprovamos esse fato toda vez que decidimos fazer prevalecer a nossa vontade egocêntrica e destrutiva à vontade dEle. (Leia Romanos 3:10-18). (Para concordar com essa passagem de Romanos e perceber que “há algo de errado com os seres humanos”, não precisa crer na Bíblia, basta estudar um pouquinho de história, filosofia, ler uma revista, jornal ou assistir um noticiário, creio que todos podemos chegar a mesma conclusão)
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A questão é, alias, como disse o irmão Paul Washer, a maior e mais problemática questão é: Como Deus pode perdoar e justificar o injusto e permanecer justo? A própria Bíblia diz: “O que justifica o perverso é abominável para o Senhor” (Provérbios 17:15). Como que Deus poderá nos perdoar sem violar sua justiça, e assim, cair em contradição com a Sua natureza?
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Como Deus pode justificar o perverso e permanecer justo? Citei no começo que tudo o que Deus faz ele faz baseado no seu amor e na sua justiça. Sendo Deus perfeito em amor, Ele providenciou uma maneira de nos justificar sem violar a sua justiça. Em Jesus, a JUSTIÇA de Deus e o AMOR de Deus foram reveladas. A JUSTIÇA foi manifestada na cruz, “o justo castigo que cairia em nós, caiu nEle”; a JUSTIÇA sob a qual todos nós deveríamos padecer, caiu nEle, EM NOSSO LUGAR EM NOSSO FAVOR; Alguém tinha que morrer por tanta injustiça e pecado, mas se nós morrêssemos pelos nosso próprios pecados, não teríamos uma segunda chance. “Deus estava em Jesus reconciliando o mundo consigo mesmo”; O Evangelho é a manifestação da JUSTIÇA de Deus, que nenhum de nós poderia ter carregado, pelo fato de sermos culpados. Ele que não pecou, se entregou em nosso lugar como pagamento pelo nosso crime. “Mas Deus prova o seu próprio AMOR para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”(Romanos 5:8). “Ele foi moído pelos nossos pecados” (Isaías 53)
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A JUSTIÇA e o AMOR de Deus se manifestaram em um homem, Jesus de Nazaré, o Cristo! Por isso que Ele mesmo disse que não há outro caminho a Deus se não por Ele, pois se for fora dEle, quem que paga pelo seu pecado? Você? Você não pode, pois é culpado dele. Só há duas possibilidades, ou você finge que não existe pecado e você não é culpado (mas fazendo isso, você precisa explicar o mal contido em você mesmo e o mal que assola mundo, e negar toda a maldade ao seu redor e se satisfazer com um fim sem justiça, onde ninguém é responsável pelo que faz, e as conseqüências dessa lógica são terríveis), ou você assume a sua culpa, que é bem óbvia, se arrepende, e aceita a morte do Cristo como pagamento suficiente para o seu crime, e recebe o perdão da parte de Deus, recebendo então uma nova natureza.
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É bem simples, resumindo: Pecamos, não podemos pagar pelo nosso pecado, Jesus pagou e disse que aquele que aceitar, pela fé, que esse foi o pagamento pela sua dívida, está reconciliado com Deus!
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E agora, finalmente respondendo a pergunta: Mas por que Jesus teve que sofrer tanto?
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Mateus 26:39 narra a angústia de Jesus momentos antes de ser crucificado. Em oração Ele disse: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice. Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.”
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A pergunta é: O que havia naquele cálice que Jesus não queria beber? A resposta está em Apocalipse 15:7 que diz: “...a taça (cálice) cheia da cólera de Deus”. Essa taça é derramada sobre os homens como o justo castigo pelos seus pecados; essas taças contêm a justiça de Deus; é Deus dando aos homens “o que lhes é devido por direito” (segundo a definição da palavra “justiça”)
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“Passe de mim este cálice pai...”, pois está cheio da tua cólera; pois é a manifestação da tua justiça. Jesus estava aflito porque teria que beber do castigo que nos era por direito receber. Naquele cálice continha toda a indignação e toda a justiça que nós seres humanos merecíamos. Foi um apocalipse inteiro caindo encima de um só homem em algumas horas. Muito mais do que a dor física, havia o peso espiritual do feito, pois como a Bíblia diz: “Ele se fez maldito por nós...se tornou pecado para nos justificar”.
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Deus mesmo abandonou seu Filho único naquela cruz para morrer sob a sua ira e a sua justiça. Onde Deus está o pecado não pode estar, sendo que Jesus tinha se tornado pecado, em nosso lugar, naquela cruz, o Pai se retirou dEle, e Jesus então exclamou: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? ...Pai, em tuas mãos entrego meu espírito! E, dito isto, expirou.” (Mateus 27 e Lucas 23). Mas porque Jesus não pecou, Deus mesmo o ressuscitou, e hoje, Ele é poderoso para interceder por nós.
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Jesus Cristo sofreu tanto porque o salário justo dos pecados da humanidade toda, o castigo que nos era por direito, caíram nEle! Jesus Cristo sofreu tanto porque pagou o preço “da ofensa infinitamente ofensiva”; porque Ele, sozinho, levou em si mesmo a sentença de um crime de proporções divinas e conseqüências eternas. Jesus sofreu tanto, porque o nosso pecado não é pouca coisa!
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E por isso que hoje Ele é o único caminho, pois Ele é a expiação pelos nossos erros, sem Ele, você continua condenado pelos seus crimes contra Deus; sem o Advogado, você será encontrado culpado e sem defesa diante do Justo Juiz, e pela Sua perfeita Justiça, você continuará condenado a passar o resto da sua vida onde você sempre esteve: Longe, muito longe de Deus, e só há um lugar que você pode ficar longe dEle...
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Jesus sofreu tanto porque sofreu as conseqüências da nossa desobediência.
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(Leiam esta passagem, prestando MUITA atenção a CADA palavra!)
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“Deus AMOU o mundo de TAL maneira que deu seu filho único, para que todo aquele que NELE CRÊ, não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, NÃO PARA QUE JULGASSE O MUNDO, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê NÃO É julgado; O QUE NÃO CRÊ JÁ ESTÁ JULGADO, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:16)

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